Related content

As lições da Estônia, país que revolucionou escola pública e virou líder europeu em ranking de Educação

19 novembro, 2018 Notícias Vário

Na última edição do Pisa (sigla em inglês para Programa Internacional de Avaliação de Estudantes), avaliação trienal realizada pela OCDE (Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico), a Estônia apareceu em terceiro lugar, atrás apenas de Cingapura e Japão.

Está, portanto, no pequeno país banhado pelo mar Báltico a melhor educação da Europa – ou, indo além, a melhor educação do Ocidente. Entre os 70 participantes da avaliação, o Brasil ficou em 63º lugar. “O sucesso da educação na Estônia se baseia em três pilares”, afirmou à BBC News Brasil a ministra da Educação e Pesquisa do país, Mailis Reps. “A educação é valorizada pela sociedade, o acesso é universal e gratuito e há ampla autonomia (de professores e escolas).”

“Os estonianos realmente acreditam que a educação abre uma ampla gama de possibilidades”, completa a ministra. Na Estônia, a educação é gratuita e inclusiva em todos os níveis, explica Reps, o que significa que todos têm igual possibilidade de inserção. “Também oferecemos acesso igual a vários serviços de apoio baseados nas necessidade, como refeições gratuitas na escola, fornecimento de materiais didáticos, serviços de aconselhamento, além de subsídios em transporte e, a partir do ensino secundário, acomodação.”

Amor pelas letras e investimento pesado
Durante séculos, o povo estoniano teve suas terras dominadas por outros povos, principalmente suecos e russos. O país foi criado como Estado autônomo apenas em 1917. De 1940 a 1991, se tornou um estado membro da União das Repúblicas Socialistas Soviéticas (URSS).

Tal e qual hoje, portanto, a Estônia é um jovem país de apenas 27 anos. Mas, desde muito tempo atrás, uma coisa não mudou: o apreço do povo estoniano pela cultura letrada. Tanto é que, de acordo com registros históricos, há 150 anos o índice de alfabetização da população já era de 94%. “Sempre fomos famintos pelo aprendizado”, define Reps.

Com o país moderno e independente, a decisão governamental passou a ser priorizar os investimentos em Educação. Atualmente, o Estado investe 6% do PIB (Produto Interno Bruto) no ensino. Em termos percentuais, é o mesmo que o Brasil. Mas na hora de esmiuçar os dados, considerando PIB per capita e número de alunos na rede, notam-se discrepâncias.

No Brasil, o PIB per capita é de R$ 31 mil, de acordo com dados da OCDE referentes ao ano de 2017. Na Estônia, é o equivalente a R$ 110 mil. Enquanto o governo brasileiro investe, no ensino básico, R$ 6,6 mil por aluno ao ano, o governo estoniano aplica o equivalente e R$ 28 mil.

Se comparado com o Brasil o valor é alto, comparado com os outros países europeus, não chega a impressionar. A média da União Europeia, bloco que conta com a Estônia desde 2004, é de cerca de R$ 41 mil por aluno ao ano.

Serve para o Brasil?
Replicar um modelo de um país para o outro, na opinião da ministra estoniana, não é algo tão factível, uma receita mágica que poderia resolver os déficits educacionais. “Cada país é diferente e não existe uma receita ou um modelo secreto que possa ser usado apenas copiando tudo”, acredita ela.

As ressalvas são óbvias: discrepâncias de tamanho populacional, problemas históricos ainda não resolvidos ou mesmo diferenças culturais. “O modelo da Estônia foi formulado considerando um pequeno país. Circunstâncias brasileiras são completamente diferentes”, afirma Reps.

Por outro lado, ela reconhece que parcerias entre nações são importantes. No caso da Estônia, com a igualmente bem-sucedida Finlândia, atual quinta colocada no ranking Pisa. “A Finlândia é nosso principal parceiro quando tratamos de melhores práticas educacionais. Há sempre algo a aprender com os vizinhos”, ressalta.