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REVISTA INFRA

23 janeiro, 2018 Revisão de imprensa

Matéria publicada originalmente na edição de Janeiro de 2018 na Revista INFRA: 

No Brasil, já existe um exemplo concreto de smart city. Ou melhor: a primeira cidade inteligente social do mundo. Voltada para 25 mil pessoas, a Smart City Laguna está sendo desenvolvida no distrito de Croatá, em São Gonçalo do Amarante (CE), Região Metropolitana de Fortaleza.

Durante o 7º Seminário sobre Comunidades Planejadas, Loteamentos e Desenvolvimento Urbano (Complan), realizado no final do ano passado pela Associação para o Desenvolvimento Imobiliário e Turístico do Brasil (ADIT Brasil), na Universidade de Negócios UniAlgar, na Granja Marileusa (um bairro planejado de Uberlândia/MG – veja os detalhes no quadro da pág. 24), a INFRA conversou com a Diretora Geral da SG Desenvolvimento, Susanna Marchionni, sobre o empreendimento que traz o conceito “Viver além de morar” ao unir inovações, tecnologia, sustentabilidade, planejamento urbano moderno e soluções de mobilidade em um só lugar. O desenvolvimento está a cargo do Grupo Planet, formado por empresas inglesas e italianas.

Tendo como parceiras empresas multinacionais como Tim, Enel, Samsung, Arup e StarBoost, a Smart City Laguna terá uma área total de 330 hectares, sendo aproximadamente 480 mil m2 de área verde distribuídas por toda cidade, e será composta por 7.065 lotes, sendo 6.009 residenciais, 920 do polo comercial e de serviços, e 136 do polo tecnológico e empresarial. Todos os lotes da cidade inteligente serão 100% saneados e pavimentados.

Ao todo, serão investidos US$ 50 milhões e o projeto tem como objetivo ajudar a suprir o déficit habitacional de uma região apontada por estudos como uma área de grande potencial e desenvolvimento no mundo, onde está inserido o Complexo Industrial e Portuário do Pecém (Cipp); além de, ao mesmo tempo, apresentar ao mundo um inédito modelo referencial para novas cidades, com expectativa e estrutura para comportar cerca de 25 mil pessoas.

Financiado com recursos próprios, o empreendimento é uma realização da empresa brasileira SG Desenvolvimento. A primeira etapa foi entregue em dezembro de 2017, com previsão de conclusão em 2021.

De acordo com Marchionni, o local escolhido para a construção da Smart City Laguna é um celeiro de oportunidades, pois está inserido em uma das regiões mais prósperas do Brasil. “Sem dúvida alguma, o projeto está provocando um despertar em todo o mercado imobiliário brasileiro, atingindo positivamente o poder público na forma de desenvolvimento das cidades, além de alcançar certa visibilidade internacional, conduzindo o Ceará a um cenário urbano mundial”, afirma.

As moradias da Smart City Laguna são acessíveis a todas as faixas de renda. O Grupo Planet aplicará o conceito da “convivência colaborativa”, ainda inédito no Brasil. “Ela consiste em estimular o desenvolvimento de uma cultura voltada para a economia doméstica e coletiva. O cidadão dispõe de uma estrutura social, com ferramentas que proporcionam mecanismos de compartilhamentos e interações geradoras de economia e qualidade de vida”, destaca a Executiva.

Sustentabilidade

Na sua essência conceitual, o empreendimento propõe o desenvolvimento e patrocínio de ações sustentáveis, bem como o implemento de tecnologias que estimulam e permitem, na medida do desenvolvimento habitacional do núcleo urbano, que a própria sociedade seja a propulsora da sustentabilidade nos quatro pilares de sustentação que o projeto preconiza para uma cidade inteligente social: 1. Pessoas; 2. Planejamento urbano e arquitetura, 3. Tecnologia e serviços; e 4. Meio ambiente.

Os moradores da Smart City Laguna contarão com sistemas de aproveitamento das águas pluviais, serviços de mobilidade, coleta inteligente de resíduos, energia solar, monitoramento da qualidade do ar e da água, infraestrutura digital com wi-fi grátis nas áreas institucionais da cidade, redes inteligentes de eletricidade e água, câmeras e sensores, totens interativos e iluminação pública inteligente. Já na questão alimentícia, a cidade contará com hortas compartilhadas e já possui um aplicativo, o Planet App, desenvolvido para os moradores com o propósito de gerar interatividade, economia e qualidade de vida para todos.

Mobilidade urbana

Ainda de acordo com Marchionni, todo o projeto urbanístico foi planejado para o presente e projetado para o futuro: “Dentro do projeto, contamos com um cinturão verde distribuído por todo o empreendimento, implantação das vias públicas no sentido de proporcionar plena fluidez no trânsito, com ciclovias por todo empreendimento, além de calçadas largas com total acessibilidade, ligações domiciliares de água e esgoto já na área privativa dos lotes, drenagem profunda total, terraplanagem observando os mais altos padrões técnicos e pavimentação em piso de concreto intertravado com alto grau de resistência”, explica.

Na área da arquitetura urbanística, a Smart City Laguna contará com áreas verdes em toda a extensão, locação de espaços institucionais observando um perímetro onde o morador esteja em média a 400 metros de distância, além de um projeto de fluidez e segurança no trânsito, com destaque para ciclovias em todo o equipamento.

Com relação ao polo tecnológico e empresarial, a Smart City Ecopark, a infraestrutura inclui pavimentação em blocos de concreto intertravado de alta resistência, rede elétrica e de iluminação pública, sistema de drenagem de águas pluviais e rede de água e esgoto. O empreendimento foi planejado para receber empresas com propostas sustentáveis e economicamente positivas, e será separada das áreas residenciais e comerciais por um cinturão verde.

São cuidados que têm tudo a ver com a afirmação do consultor Vik Bangia, sobre o foco na saúde e no bem-estar das pessoas. Afinal, segundo ele, sem um ecossistema comunitário, as cidades inteligentes são apenas um projeto caro de tecnologia.

Link da notícia: www.revistainfra.com.br/Default/Textos/18382/Cidades-inteligentes